Crítica | Acompanhante Perfeita

FIlme do estreante Drew Hancock é estrelado pela competente Sophie Tatcher

12/02/2025, 11:56 / Por: Laylton Corpes / Fotos: Divulgação
Crítica | Acompanhante Perfeita

O imaginário da humanidade sempre esteve envolvido nas possibilidades que a tecnologia poderá nos proporcionar. Se na década de 60, as revistas imaginavam coisas grandiosas para a virada do século - algumas acertadas, como as videochamadas - hoje o debate se debruça na Inteligência Artificial e nas relações humanas dentro deste contexto. 


Em seu filme “Companion” (que aqui no Brasil chegou singelamente como “Acompanhante Perfeita”), o estreante diretor Drew Hancock traz aquela velha dualidade entre humanos versus máquinas, porém sob a perspectiva de um relacionamento abusivo. Se você já viu o filme, continue a ler. Se não, pare agora mesmo e vá assistir com o mínimo de informações possíveis sobre ele. Acredite, vale a pena se surpreender com o longa.


“Acompanhante Perfeita”, traz Iris (Sophie Tatcher) e Josh (Jack Quaid), um casal que vai passar o fim de semana junto aos amigos em uma isolada casa de campo. Parece uma programação normal, porém há um detalhe crucial: Iris é uma robô acompanhante. O filme, que se passa em um futuro bem próximo, traz máquinas que são perfeitamente humanoides, que emulam sentimentos e possuem uma IA perfeitamente controlável. E claro: eles são apaixonadamente devotos aos seus donos. É o caso de Iris, que não consegue imaginar sua vida sem a existência de Josh. Com um toque da produção de Zach Cregger, o diretor do inusitado “Noites Brutais”, o clima - desde os primeiros minutos - é de que há algo errado na dinâmica do casal.


Com uma ideia já proposta na série "Humans" (BBC), o filme combina o horror-tech de “M3GAN” com a pegada thriller de “Pisque Duas Vezes”. É verdade que não se trata de algo exatamente novo, mas a divertida proposta de Hancock consegue imprimir empatia com uma robô assassina e que possui uma motivação válida: escapar das mãos de um parceiro tóxico que enxerga mulheres como um objeto, já que não sabe se relacionar verdadeiramente com uma. 


Além de tecer um forte comentário sobre a cultura incel e a masculinidade tóxica, a cinematografia de Eli Born ajuda a criar uma atmosfera cósmica com o horror em cenários sombrios e planos detalhados, o que dá aquele charme que vem se tornando cada vez mais presentes em longas do gênero do terror.


Talvez por se preocupar em imprimir uma mensagem, a execução do longa poderia ter sido mais acertada, em especial no seu terceiro ato. O resultado é um ótimo filme que cumpre a sua proposta - aliás, quem sabe até com um gostinho de quero mais. A graciosa atuação de Sophie Tatcher nos faz querer ver mais da personagem. Estamos falando de uma nova “Exterminador do Futuro?”. Isso só o futuro nos dirá.

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